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O
espetáculo mostra o trágico momento em que um homem
desperta após anos em transe causado pela rotina. Um dia, ele
acorda, olha-se no espelho e vê os olhos de uma pessoa morta.
Desesperado pela descoberta e aprisionado pela máscara e roupas
que vestiu com o tempo, vai de encontro ao próprio colapso.
No limite de suas forças, percebe que a única saída
é romper com tudo, despedir-se do passado e partir à
procura do próprio rosto.
Destino?
Dehradun, cidade fictícia onde tudo pode acontecer.
Aquele
era o momento certo, ir fundo, cruzar as fronteiras atrás da
essência perdida. Nesta viagem, o confronto interior do querer
com o dever amplia-se e ele não enxerga mais o limite entre
o sonho e a realidade. No meio da confusão, depara-se com seus
medos, vontades, fraquezas e seu objeto de desejo, uma obsessão,
que pode pôr tudo a perder. Mas, sempre há uma última
chance. O final é o verdadeiro recomeço.

Processo de Trabalho
Linhas
Cruzadas nasceu de um intenso trabalho de improvisação
sobre temas da vida cotidiana do homem moderno e urbano: tempo, identidade,
procura, estresse, fetichismo, obsessão, medo, violência,
etc...
Após
esta fase, selecionamos o material desenvolvido e passamos para a
composição, ligando, misturando, trocando e editando
as várias cenas montadas na fase inicial. As palavras apareceram
em conseqüência da ação física, sendo
usadas para realçá-las e não para substituí-la.
O texto
se concretizou na fase final, seguido pela trilha sonora composta
especialmente para o espetáculo, funcionando como amplificadora
da ação física que, em conjunto com o cenário
e a iluminação criam atmosferas, sentimentos, conflitos
e vontades dos personagens, compondo desta forma as cores, o som e
a movimentação altamente estilizada, tão característica
da mímica moderna.
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