Micro-Revolução
de um ser Gritante

Espetáculo-solo livremente inspirado no texto "A Paixão Segundo G.H."
de Clarice Lispector .

Uma mulher sozinha em seu apartamento de cobertura. Um ser limpo, íntegro e organizado dentro de um terreno conhecido, esquadrinhado e demarcado. Uma revolução íntima começa sutilmente a volver camadas internas há muito sedimentadas. Os alicerces cedem, e todo o mundo conhecido parece esfacelar-se. O corpo confortável e dócil enfrenta a vertigem do fluxo impossível de vida em vibração insuportável. O embate cruel será o permanente risco que implica cada escolha, a cada momento. A afirmação do desejo ou a desistência que se faz a cada gesto. A opção de encarar a vida crua e, num duelo com forças poderosas, tentar descobrir, entender e acima de tudo expressar o mistério do núcleo vivo do ser, terrível, infernal e ao mesmo tempo sedutor, a própria salvação, para quem tiver a coragem de desistir da esperança para viver o momento do instante, do agora, do já. O encontro com a vida que pulsa numa revolução silenciosa. A revolução essencial.

Vídeo
Veja aqui vídeo de entrevista para o programa Metrópolis da TV Cultura.

Ficha Técnica

Inspirado na obra de:
Texto, direção e interpretação:
Figurino:
Iluminação:
Fotos:
Realização:

Duração:
Faixa etária recomendada:
Clarice Lispector
Silvana Abreu
Taynã Azevedo
Sueli Matsuzaki e Silviane Ticher
Thais Stoklos Kignel e Leonardo Ceolin
Projeto Solos do Brasil
sob coordenação de Denise Stoklos
55 minutos
a partir de 10 anos

Objetivos

Apresentar um espetáculo com qualidade e sensibilidade, fiel à intensidade e força da obra de Clarice Lispector . Transportar a poética e questões essenciais abordadas no texto para a linguagem teatral, sem perder a sua essência vital. Focar o trabalho do ator essencialmente, em toda sua potência, sem adereços.

Apresentar e divulgar a obra de Clarice Lispector, abrangendo um público amplo. Estimular debates e reflexões sobre a sua escritura e colaborar no processo educativo, onde a literatura e o teatro são bases sólidas de formação humana .

A Expressão

A obra de Clarice Lispector está impregnada de um movimento interno na tentativa de entender e expressar as estruturas básicas que movem o ser humano. Retirando todas as camadas superficiais das convenções sociais e culturais, de psicologismos, Clarice tenta atingir o que é mais núcleo, o que é mais ancestral, o que seria o pólo formador de algo que se classifica como humano. Ela vai corajosamente em direção ao extremo da linguagem. E se depara com visões que são simplesmente inexprimíveis.

Proposta de Encenação

É um desafio enorme enfrentar a força e a imensa coragem de Clarice. Ela se coloca de uma maneira absurdamente clara, profunda, lúcida, abrindo seus pensamentos e sentimentos mais íntimos à completa exposição, para olhos curiosos e perplexos diante da carne viva que ela nos apresenta, sem retoques. O desafio é transpor para a linguagem teatral toda essa intensidade, toda a sensibilidade e a perplexidade de Clarice perante o mistério do ser. Não uma interpretação literal ou fiel à palavra, tão cara a autora, mas encontrar - no formato da atuação, da fala e da ação - o mesmo efeito poético tão energético que a sua obra suscita durante a leitura. Utilizar as palavras escritas sim - tornadas palavras faladas - mas também beber das entrelinhas, do não-dito, dos silêncios, sempre presentes em qualquer texto de Clarice. Essa alquimia de metamorfosear o ouro da palavra escrita na pedra brilhante da comunicação viva, imediata e direta que o teatro proporciona.

Os rumos intensos, tortuosos e tantas vezes torturantes percorridos por Clarice inspiraram a construção deste espetáculo. Essa inspiração estimulou a tentativa de atingir um desnudamento de sentimentos que possibilite reunir a todos numa conexão mais essencial e verdadeira , criando uma comunicação profunda durante o tempo de duração da cena, enquanto vivemos a mesma experiência. Um tempo único e raro, que jamais se repetirá e que construímos juntos. Esse é o tempo da escolha pela vida ou pela acomodação confortável. O tempo de saber da falta de garantias, do desconhecido que é o próximo instante e, mesmo sabendo disso, dizer "sim" ao desejo vital que nos guia em direção a intensidades e potências, em direção a experiências criativas originais, vivas e sempre renovadas. Tempo de enfrentar a covardia, o medo, a fraqueza humana, o terror de estar vivo e desamparado. Jogar na arena essa covardia para a exposição pública. Para que dela mesma possa surgir a força e o poder inerente a todos nós, a favor da transformação, do amor e da alegria.

 

Outras Informações

www.silvanaabreu.com