As
principais características do Teatro Físico
(...)
Entendendo o corpo como o próprio ser, o Teatro Físico
afasta-se da representação ficcional e compreende a
sua presença como integrante do ato artístico. O ator-criador
afirma as suas idiossincrasias e o seu ser na persona e não
na identificação com a personagem de uma obra. Na construção
da persona, ele rompe com a dualidade ficção/realidade
e, com isso, o ator-criador se serve das personagens para fortalecer
a expressão de seus pensamentos, de suas indignações
e não para ficar atrás delas e se anular através
de uma tentativa de encarná-las. A relação com
suas personagens e com a própria obra literal é deixar
que elas atravessem seu ser e, para isso, seu corpo em vida organiza
de maneira única, uma relação colaborativa com
esses elementos, num espaço vazio.
O Teatro
Físico, no mundo, tem suas raízes na arte da mímica.
Como vimos, assim foi denominado nos anos setenta, para representar
a Mímica Contemporânea e eliminar preconceitos e associações
que a caracterizassem como arte sem fala. Em minhas entrevistas com
artistas dessa área, constatei a convergência de um pensamento:
com esse nome, consegue-se uma ampliação de seu entendimento,
e também que não mais seja vista como uma arte separada
ou pura. Com outros, há a opinião de que os próprios
mímicos, ao denominarem seu trabalho como Teatro Físico
e não Mímica, contribuem com este preconceito. O uso
desse termo alcança seu apogeu nos anos noventa com a proliferação
de festivais e grupos teatrais de pesquisa nessa área. Identifico,
no Teatro Físico, a síntese do hibridismo da Mímica
Contemporânea e que apresenta como principais características:
•
Principais referências provenientes de Decroux, Barrault, Marceau
e Lecoq em uma primeira fase, e Artaud, Meyerhold e Grotowski numa
segunda fase.
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Um teatro livre do textocentrismo e das sujeições à
literatura.
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É centrado no ator-criador, que é autor e obra ao mesmo
tempo, diferente do ator-intérprete que inicia seu trabalho
a partir de um texto escrito.
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Rompe a divisão da ficção com o real através
da persona.
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Adota o pensamento experiencialista, quebrando com as dicotomias mente/corpo,
razão/emoção, objetivo/subjetivo e o dualismo
dentro/fora.
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Compreende o corpo não como instrumento, mas corpo-pensante.
•
Junta em seu treinamento as conquistas da mímica moderna com
a via negativa e desconstrução proposta pelos contemporâneos.
•
O texto escrito, o cenário, a música e as outras artes
são bem vindos somente com o objetivo de enfatizar a potência
do ator-criador e não para camuflar suas fragilidades.
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O processo de trabalho é colaborativo.
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A relação com o espectador é aberta.
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A vivacidade do ato é massiva.
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É caracterizado pelo hibridismo de todos os elementos citados
acima e não pelo olhar isolado em um ou outro.
