Introdução
O Teatro
Físico é uma síntese bastante específica
e complexa de todo um movimento do século XX para resgatar
a arte de ator, um ator criador livre dos domínios da literatura,
do racionalismo objetivista e do naturalismo. O ator-criador é
o ponto de partida para se realizar essa mudança. O seu pensamento
é o pensamento do corpo.
Os seus objetivos principais são: reconhecer a dramaturgia
do corpo do ator como cerne da criação teatral, o fim
da dicotomia autor/ator, criador/obra, mente/corpo e a mudança
na posição do ator no processo de comunicação,
migrando de ator-intérprete para ator-criador.
O termo
Teatro Físico foi instituído devido às confusões
e ao preconceito de muitos, tanto do público, como dos artistas,
da palavra mímica. Isso acontece devido a esta arte ser associada
erroneamente, por muitos, ao gênero silencioso da pantomima.
Por esta razão, alguns grupos começaram a introduzir
o termo Teatro Físico para a Mímica Contemporânea
que explora a arte da mímica como um “ato total”
, que une o corpo, a voz e o pensamento na figura do ator-criador.
Tais
pensamentos estão ligados, diretamente, ao movimento artístico
surgido no início do século passado, em Paris, liderado
pelo francês Jacques Copeau (1879–1949), que alertou inúmeros
artistas acerca da importância da posição do ator
no processo de criação. Foi através de sua escola
Theatre du Vieux Colombier, que tomou contato com seu aluno
mais promissor, Etienne Decroux, que veio a ser considerado e reconhecido
como o criador da mímica moderna.
Mestre
de Jean Louis Barrault, Marceau Marceu entre outros, Decroux devotou
toda a sua vida ao estudo desta forma de arte, criando uma técnica
altamente decodificada e a famosa gramática corporal.
Proveniente
do mesmo movimento iniciado por Copeau, Jacques Lecoq, outro francês,
completa este rol de artistas que formam a base essencial para o desenvolvimento
da Mímica Contemporânea e do chamado Teatro Físico.
A partir
dos anos 80, a Mímica Contemporânea ou Teatro Físico
proliferou no território nacional. Cresceu fomentada, na primeira
fase, pela eclosão da mímica francesa trazida para o
Brasil por Luis de Lima e seguido por Ricardo Bandeira, que colaboraram
para o seu desenvolvimento e cujo trabalho resultou na formação
da Mímica Moderna no país. Na segunda fase, o trabalho
de Denise Stoklos e Luis Otávio Burnier trazem para o cenário
nacional o hibridismo da Mímica Contemporânea, representada
pela intersecção da linha francesa com as pesquisas
de Grotowski e de seu discípulo Eugênio Barba.
Em 1997,
após anos de pesquisa e trabalho no exterior, Luis Louis retorna
ao Brasil com o intuito de desenvolver e propagar esta arte no país.
Em 2005 funda o Estúdio Luis Louis - Mímica e Teatro
Físico, um Centro de Pesquisa e Criação desta
arte no Brasil.
